terça-feira, 17 de outubro de 2023

O sofrimento é viciante...

Engraçado que já se passaram anos e anos, e parece que eu vivo sempre nessa mesmice de sentimento.

Evoluo como pessoa, como mulher, mas em assuntos do coração, sempre saio machucada, é como se nesse quesito, eu não conseguisse evoluir. Pessoas vem e vão o tempo todo, mas porque sempre consideramos ser o fim do mundo? O sentimento, amor ou paixão, balança nosso ser de um jeito, que nos dá a sensação de queda, uma queda que não vemos chão e pensamos sempre estar caindo...
Comecei esse texto no inicio do ano, e já estamos um pouco mais na metade. Porque esse sentimento de vazio e tristeza insiste em permanecer em meu interior? 
Mais uns dias pela frente e muita coisa mudou, menos esse vazio insistente. O sofrimento é um ciclo, ele vai e vem, mas parece querer ficar, insiste em permanecer sempre ao meu lado, acompanhar minha jornada e conviver comigo. Já dizia meu psicólogo "o sofrimento é viciante, e precisamos ter cuidado com isso". E isso faz muito sentido, principalmente para mim, que me sinto rodeada o tempo todo por ele, pelo sofrimento e tristeza. 

 

A crise dos 20 e tantos



A sensação é de vazio, mas, ao mesmo tempo, todos os sentimentos possíveis me preenchem por dentro. Não me sinto a mesma pessoa ao olhar meu reflexo no espelho, mas minha mente se expressa internamente. Não sei explicar o que está acontecendo e não consigo seguir em frente, não saio do lugar. É uma agonia constante.


Sabe quando você não aguenta mais? Essa é a sensação, mas não de dar um fim, já passei por isso, e superei. Mas o cansaço e a incapacidade de prosseguir naquilo que você estava habituada a fazer. 


Sou formada em Farmácia, desde 2019, já atuei em algumas áreas diversas, mas após experiências ruins e 4 anos de formada, simplesmente cansei. Cansei de ter um retorno ruim, de ser tratada mal, de desenvolver crises de ansiedade no ambiente de trabalho, de me sentir sobrecarregada. Mas, principalmente, de não me sentir feliz e realizada nessa profissão… Desempregada há quase um ano, e me vejo perdida em meio a tantas crises existenciais e sem rumo na vida. Aos 28 anos não me imaginava bem sucedida, mas ao menos no rumo disso. Sou amante da escrita, da fotografia e gostaria de me dedicar a isso, porém não sei se seria capaz de seguir nisso e me sair bem (a autossabotagem surgindo).


Tenho passado meus dias ansiosa e refletindo sobre minha vida, em que não sei que rumo tomar, ou o que fazer, que minha cabeça chega a doer. As pessoas às vezes acham que porque a gente não faz “nada”,  a gente não cansa, mas é o cansaço mental que mais me tem feito mal e dado insônia, dor de cabeça, de preocupação mesmo.
A nossa vida toda nos é imposto que temos que fazer faculdade e se dedicar àquela profissão, mas com 15/16 anos ninguém tem noção do que quer da vida, alguns até sabem, mas a maioria eu acredito que não, e não deveríamos ser cobrados por isso tão precocemente. 


E aqui estou eu, formada em algo, mas infeliz do que tive que escolher, por não ter certeza do que fazer, e buscando algo novo para seguir em frente, porque por mais que me sinta perdida e deslocada, sei que não é tarde demais, para ninguém é, independente de idade.
A questão é criar força de vontade e dedicação em algo que lhe preenche de verdade.


Falar é fácil, eu sei, mas estou tentando acreditar em minhas próprias palavras.

Sou apenas uma adulta com alma de adolescente, que ama escrita e fotografia. E embora não me sinta ainda suficiente para seguir nisso, sigo na tentativa…